Não faltam os construtores que anunciaram parar com o desenvolvimento de novos motores diesel, ou interromper as vendas. Não a BMW, que diz que os seus são os melhores e que as vendas vão continuar.

Durante o Salão de Paris, o responsável pelo Desenvolvimento, Klaus Fröhlich, afirmou que a BMW “possui os melhores turbodiesel do mercado e vai continuar a apostar em motores a gasóleo”. Isto enquanto surgem fabricantes a anunciar terminar o desenvolvimento de novos motores diesel e outros deixam de vender este tipo de motorização.

Fröhlich declarou não estar ainda decidido “retirar o motor a gasóleo da gama americana do novo X5”. Isto num mercado em que os seus adversários trocaram os motores a gasóleo pelos híbridos e híbridos plug-in a gasolina. Contudo, o técnico da BMW está consciente das dificuldades criadas pelas apertadas normas antipoluição.

Na prática, não há motivos para suspender a produção de motores diesel, enquanto se continuam a fabricar motores a gasolina. Têm apenas de estar de acordo com a actual regulamentação. É bom ter presente que, sem filtro de partículas, todos eles excedem largamente os limites máximos de “fumos” que emitem. E se uns são mais visíveis que outros, não são menos poluentes.

Convém igualmente ter presente que, sem catalisadores de três vias, as unidades a gasolina seriam um desastre em emissões de CO (monóxido de carbono), HC (hidrocarbonetos) e NOx (óxidos de azoto). É para anular estes três elementos que eles existem, transformando-os em CO2 (dióxido de carbono), água, azoto e hidrogénio. Os diesel necessitam do mesmo apoio tecnológico para “acalmar” os poluentes, mas sempre usufruíram de apenas catalisadores de duas vias (CO e HC). Só há cerca de três anos começaram a beneficiar da terceira via para anular os NOx, através da injecção de AdBlue.

Em igualdade de circunstâncias, os motores diesel e gasolina equivalem-se em partículas, HC e NOx. Contudo, os motores a gasóleo consomem menos combustível, logo libertam menos CO2, o que lhes confere uma vantagem importante. Se o dióxido de carbono não é poluente, é responsável pelo igualmente grave aquecimento global. É exactamente por saber disto que Fröhlich está a apostar nos diesel da BMW. Mas está a descurar os motivos que levaram os seus concorrentes a abandonar as suas motorizações a gasóleo. Este tipo de mecânicas foi e continua a ser alvo de perseguição política, que nada tem de técnica ou racional.

 

Fonte: Observador