A Porsche anunciou que o seu futuro Taycan, o primeiro eléctrico da marca, vai ser capaz de acelerar múltiplas vezes, sem perder eficácia. Isso é mesmo uma vantagem? Será melhor do que um Tesla?

A Porsche está apostada em provar que o seu primeiro eléctrico é melhor do que a concorrência. Mas será mesmo? Em que aspectos? O construtor alemão, que hoje vende mais SUV do que modelos desportivos, não esgrime como trunfos para esta alegada superioridade a potência e, muito menos, a rapidez. Argumenta, isso sim, a capacidade de fazer arranques consecutivos, como se isso fosse determinante ou até mesmo fundamental.

Para já, é necessário ter presente que ainda não existe Porsche Taycan. O que a marca está a levar a cabo é uma campanha promocional em que convida um órgão de informação de cada vez, em condições controladas pelo fabricante, onde os jornalistas testam um protótipo, sem quaisquer garantias que corresponde ao modelo que vai ser entregue aos clientes, muito provavelmente, a partir do início de 2020, pelo menos em grande volume.

Desta vez, a Porsche convidou o canal de youtube Fully Charged para se deslumbrar com a capacidade do Taycan fazer 30 arranques consecutivos, sendo que o termo consecutivo, como se pode ver pelo vídeo, é algo de (muito) pouco definido. Nunca, até hoje, a Porsche reivindicou a capacidade de qualquer dos seus modelos fazer 30 arranques a fundo de forma consecutiva. A última vez que conduzimos um 911 GT2 – a versão mais desportiva e exuberante do 911 –, sem realizar qualquer arranque, mas apenas conduzindo o desportivo num kartódromo e na presença da uma equipa de filmagens, o carro – que pertencia ao parque de imprensa, logo estava em boas condições – aqueceu em demasia ao fim da terceira volta (sensivelmente 1 km) e entrou em modo de segurança.

A Ferrari e a Lamborghini produzem desportivos deslumbrantes, potentes e eficazes, com motores nobres com 8, 10 e 12 cilindros, e nunca nenhuma delas encorajou ou sequer mencionou esta capacidade. Não porque os seus modelos não o consigam fazer – e não conseguem, pelo menos sem estragar material –, mas sobretudo porque o cliente típico não aprecia nem dá valor. Já o mesmo não acontece em relação à velocidade máxima, rapidez de 0-100 km/h e, no caso dos eléctricos a bateria, a autonomia. Mesmo que não recorram a estes argumentos todos os dias.

O que a Fully Charged conseguiu apurar?

Do vídeo publicado pela Fully Charged, que pode ver abaixo, é possível extrair algumas conclusões e confirmar algumas suspeitas. Primeiro, que o Porsche Taycan é um veículo familiar no espaço (tipo Panamera, ou melhor), além de sólido e bem construído, como aliás é habitual na marca alemã. Afirma o jornalista convidado que o Taycan que lhe permitiram conduzir é um Turbo, a versão mais potente do eléctrico da Porsche, equivalente ao Model S P100D da Tesla (hoje conhecido como Model S Performance). Isto porque, depois, vão surgir versões mais baratas com menos potência e até mesmo apenas com um motor e somente tracção traseira.

Voltando ao Taycan Turbo, este modelo terá dois motores, para garantir tracção às quatro rodas, com cerca de 200 cv no motor da frente e 400 cv no motor traseiro, o que lhe garantirá ligeiramente mais do que 600 cv. O pack de baterias possuirá uma capacidade (não confirmada) de 96 kWh, com o Taycan a anunciar um sistema eléctrico a 800V, cerca do dobro do que é normal entre a concorrência, o que deixa antever carregamentos mais rápidos. Contudo, a possibilidade de lidar com cargas a 350 kW está de momento afastada, com a Porsche a admitir que inicialmente o Taycan vai apenas aceitar potências até 250 kW, ou seja, a potência dos Tesla.

Equipado com uma caixa de duas velocidades, que é evidente nos vídeos, durante os arranques, o Porsche eléctrico será capaz de ir de 0 a 100 km/h em pouco menos de 3,5 segundos, para depois atingir 250 km/h. Bons valores, mas se os 250 km/h perdem para os 261 km/h do Model S, os 0-100 km/h ficam largamente abaixo dos 2,6 segundos do S da Tesla. Aliás, 3,5 segundos é mesmo o que o mais pequeno e barato dos Model 3 (versão Performance) anuncia de 0-100 km/h.

No vídeo, o jornalista convidado da Porsche afirma ainda que o Taycan Turbo aponta para uma autonomia de 320 milhas de autonomia, o que equivale a cerca de 514 km. Esta, a confirmar-se no modelo de série, poderá ser uma das maiores desvantagens do Porsche face ao Tesla, uma vez que o Model S na versão Performance anuncia, já de acordo com o WLTP, 590 km de autonomia.

Resta esperar por 4 de Setembro, quando o Taycan revele finalmente os seus dados oficiais. Há quem afirme que a Tesla aguarda esse anúncio para revelar, também ela, uma nova actualização do Model S, que elevará ainda mais a fasquia.

 

Fonte: Observador