Ninguém disputa que se vendem menos veículos eléctricos do que era esperado, em parte, porque faltam postos de carga. Mas em Inglaterra já há mais postos do que bombas.

Todos os países europeus gostariam de vender mais veículos eléctricos do que aqueles que são transaccionados regularmente. Os fãs da mobilidade eléctrica lamentam não existirem postos de carga suficientes, enquanto os que torcem pelos motores de combustão acusam os eléctricos de apenas venderem à custa das ajudas governamentais. Uns e outros têm razão, apesar de ser evidente que, em breve, os eléctricos serão comercializados pelo mesmo valor dos concorrentes a gasolina, ou seja, serão consideravelmente mais baratos do que agora, o que irá marcar o início das compras de modelos alimentados por bateria apenas porque são mais interessantes sob o ponto de vista económico.

Até lá, o número de postos de carga é determinante, pois ninguém está interessado em adquirir um veículo se não o conseguir abastecer (recarregar) com um mínimo de comodidade. Em Portugal há um número razoável de pontos de carregamento – 63 rápidos e 1.250 normais, segundo a Mobi-e –, mas especialmente os postos de carga normais, que carregam em AC e com baixa potência, tem a maioria das unidades avariada ou desligada, pelo que não se pode contar com eles para se resolver as necessidades de quem, volta e meia, precisa de colocar mais energia no acumulador.

Este não parece ser o caso do Reino Unido, onde há hoje mais postos para recarregar veículos eléctricos do que bombas de combustível. Sendo certo que se os primeiros aumentam com regularidade, os tradicionais postos de combustível têm vindo a ser reduzidos ao longo dos últimos anos, tendo caído cerca de 80% desde 1970. No total, há apenas cerca de 8.400 locais onde abastecer de gasolina ou gasóleo no Reino Unido.

Em compensação, estão hoje disponíveis 9.300 locais em que é possível ligar um veículo 100% eléctrico, ou híbrido plug-in à rede e recarregar a sua bateria. Mais de 1.600 desses postos são de carga rápida, em DC, o que lhe atribui uma percentagem de 17%, bem superior à que existe em Portugal, que ronda 5%.

 

 

Fonte: Observador